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Uma cobertura que une prédios! (MAR) Museu de arte do rio

O projeto arquitetônico do MAR é do escritório carioca Bernardes + Jacobsen. O complexo do museu engloba 15 mil metros quadrados e inclui oito salas de exposições e cerca de 2.400 metros quadrados, divididos em quatro andares; a Escola do Olhar e áreas de apoio técnico e de recepção, além de serviços ao público.

Os dois prédios que formam a instituição são unidos por meio de uma praça, uma passarela e cobertura fluida, em forma de onda – o traço mais marcante da caligrafia dos arquitetos – transformando-os em um conjunto harmônico.

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Uma cobertura que une prédios! (MAR) Museu de arte do rio

Ergue-se o primeiro projeto de renovação do conjunto urbano da praça Mauá, em um começo de redesenho da região portuária do Rio de Janeiro. É o projeto do MAR, o Museu de Arte do Rio de Janeiro, inaugurado dia 1º de março com arquitetura do escritório Bernardes Jacobsen Arquitetura. O projeto, fruto de uma colaboração entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Fundação Roberto Marinho, com apoio do Governo do Estado e do Ministério da Cultura, ocupa 15 mil m². A missão do museu é promover, nas palavras da curadoria, “uma leitura transversal da história da cidade, seu tecido social, sua vida simbólica, conflitos, contradições, desafios e expectativas sociais”, na tentativa de difundir o ensino da arte com programas educativos para as escolas públicas municipais.

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À sua volta, tudo ainda está em obras: a praça Mauá passa por uma renovação e o Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava, transforma o píer Mauá em um canteiro de obras. Aqui é o centro das intervenções do Porto Maravilha, que inclui ainda a futura demolição do Elevado da Perimetral, que separa a cidade do seu porto e foi o grande vilão da degradação do bairro.

É assim, em meio a transformações, que o projeto do MAR se destaca pela tentativa de operar em continuidade com o tecido urbano preexistente e as originárias arquiteturas presentes. Em particular, ressalta-se a sensibilidade dos arquitetos na releitura do genius loci dessa complexa parte de cidade, estreita entre o Morro da Conceição a oeste e o Elevado e o mar a leste, entre os departamentos da Polícia Federal ao norte e a praça Mauá a sul, por baixo do volume do edifício pós-moderno Rio Branco I (1983), de Edison e Edmundo Musa, e da silhueta mais gentil do art-déco A Noite (1929), de Joseph Gire e Elisário Bahiana.

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Em vez de utilizar uma metodologia agressiva capaz de zerar as características do contexto, o projeto aceita a implantação original e se desenvolve com uma reinterpretação crítica dos dois edifícios preexistentes, o tombado palacete eclético Dom João VI (1916), que abrigou escritórios de empresas de transporte marítimo, e o contíguo edifício modernista dos anos de 1940 do antigo terminal rodoviário da cidade, originariamente utilizado nos andares superiores como hospital da Polícia Civil.

Enquanto o palacete de 5,2 mil m², inaugurado em 1916 e tombado no ano de 2000 pelo Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural, foi escolhido para abrigar as salas expositivas por seu partido estrutural livre e seu considerável pé-direito, o edifício modernista, rebaixado do último pavimento para equilibrar a sua altura com o precedente, e suavizado nas fachadas substituindo as paredes de alvenaria por perfis de vidro translúcido, abriga a Escola do Olhar, o auditório, a biblioteca, as salas expositivas multimeios e a administração. Com sete pavimentos (incluindo o térreo), tem 7,2 mil m² de área construída.

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Voa acima dos dois prédios uma leve onda fluida de concreto armado que recebe a função de conectar visualmente as diferentes partes do projeto e de cobrir o hall de acesso no térreo e os dois níveis do terraço na cobertura do edifício modernista, onde estão o bar, o restaurante e uma área aberta para eventos culturais.

O foyer de entrada, no espaço coberto entre os dois prédios, expande-se entre os pilotis do antigo terminal rodoviário, liberados espacialmente para acolher as comitivas dos visitantes e as exposições de esculturas ao ar livre.

Na parte posterior do complexo, a marquise da antiga rodoviária, também patrimônio tombado da cidade, é reutilizada para os serviços, a loja, a bilheteria, os depósitos e a área de carga e descarga – tudo embaixo da passarela metálica de ligação entre os dois prédios, suspensa em forma de rampa inclinada entre o quinto andar da Escola do Olhar e o quarto andar do palacete expositivo. A sequência de acesso e de visita ao conjunto acontece de cima para baixo, como em outros ilustres exemplos como o Museu Guggenheim em Nova York.

Mas enquanto no Guggenheim a ascensão ao último nível se desenvolve como premissa à descida ao longo da rampa circular contínua, no MAR, o acesso à cobertura permite ao visitante aproveitar a deslumbrante vista da cidade do alto, expondo o tecido urbano e as suas transformações em relação à paisagem, como uma das obras de arte a serem contempladas.

E, nesse sutil jogo de relações com o contexto circundante, o elemento abstrato e etéreo da cobertura, marco arquitetônico do projeto do MAR, possui ulteriores conotações. A cobertura ondulada de concreto armado é uma verdadeira topografia construída, instalada aproximadamente na mesma altura do contíguo morro da Conceição, estendendo idealmente as suas curvas de nível até a baía e o mar. Não por acaso, uma das vistas mais significativas do projeto pode ser observada desde o próprio morro, que evidencia o particular diálogo do museu com seu entorno.

Mais interessante ainda é o processo construtivo da onda, que consegue manter a leveza e a instintividade gestual dos croquis e das maquetes originais. A leve cobertura de concreto armado de 66 m de comprimento e 25 m de largura, com uma espessura média de 15 cm, deriva, na sua conformação ondulada de pontos altos, baixos e intermédios, de sua correspondência com a implantação estrutural dos edifícios inferiores, localizando as colunas pluviais do teto no interior dos esbeltos pilares metálicos que a sustentam.

A cobertura de 800 toneladas foi concretada de uma vez só ao longo de 13 horas, com 70 toneladas de aço e 320 m³ de concreto em um processo que envolveu cerca de 90 profissionais – e fez o encontro da técnica com a tradição carioca, ao utilizar uma fôrma de isopor, proposta do artista plástico Carlos Lopes, especialista na construção de carros alegóricos para as escolas de samba. O molde de isopor foi montado in loco em módulos de dimensões e de espessura variáveis.

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Intérpretes de uma tradição arquitetônica quase centenária de intervenções na trama histórica da cidade, os arquitetos do escritório Bernardes e Jacobsen propõem uma intervenção respeitosa da estratificação histórica e, ao mesmo tempo, melhorativa e não mimética, deliberadamente conscientes de adicionar um signo leve e profundamente contemporâneo ao fluxo do tempo. Assim, a onda do MAR voa acima dos edifícios históricos da cidade, envolvendo com um gesto poético o seu patrimônio artístico, abaixo do seu fluido manto protetor.

 

LIGHTING DESIGN A iluminação dos edifícios ficou a cargo do Estúdio Carlos Fortes, com colaboração de Gilberto Franco. No palacete, as janelas e sacadas foram obstruídas pelas paredes acústicas dos espaços expositivos. “Para preservar a transparência pelas aberturas e a ideia de um edifício vivo, e não de um monumento, usamos as superfícies dos painéis como rebatedores, criando uma iluminação difusa e homogênea”, explica Carlos Fortes. Foram utilizadas luminárias para lâmpadas fluorescentes compactas longas de 55 W/3.000 K, de tonalidade aparente amarelada e na mesma temperatura de cor dos sistemas de iluminação dos interiores. Onde as janelas e portas não foram obstruídas – caso dos pisos das sacadas, do parapeito nas quinas do edifício e do hall central – foram instalados projetores externos. “No térreo, há luminárias de facho assimétrico embutidas no piso para lâmpadas a vapor metálico de 70 W e também 3.000 K”, conta Carlos. Na Escola do Olhar, é a luz dos ambientes internos que proporciona o efeito de transparência no exterior, graças à fachada de painéis de vidro. Os ambientes internos, aqui, são iluminados com lâmpadas fluorescentes de 3.000 K. “É a mesma temperatura de cor do palacete, amarelada, embora a tonalidade verde dos painéis de vidro altere essa percepção.” Já a cobertura fluida foi iluminada de baixo para cima, a partir do piso das coberturas, auxiliando na sensação de que a superfície ondulada flutua entre os dois edifícios.

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